sábado, 19 de setembro de 2009

O Rei da Boca do Lixo agora vai pra tela do cinema

O Brasil é realmente um país estranho. Muito estranho, diga-se. O país é pródigo em glamorizar a malandragem (vide as letras dos sambas cariocas das décadas de 40, 50 60...). Aqui há bandidos pra todos os gostos e ideologias. Tem até a bandidagem considerada romântica. Se é que algum bandido pode ser considerado romântico. Bandido é bandido e ponto final.

E é exatamente nesse contexto que nasce a imagem quase mítica de Hiroito de Moraes Joanides, o Rei da Boca do Lixo. Aliás, o brasileiro também é obcecado pela monarquia. Já perceberam? É rei pra todos os lados: rei do futebol, da música, do tráfico, da putaria, rainha da bunda (outra obsessão brazuca). E assim vai. Mas voltando ao assunto.

Hiroito não foi essa figura romântica que muitos querem nos fazer crer. Foi na verdade um bandido frio, calculista e explorador do lenocínio (as putas têm todo o meu respeito, já os cafetões são uns filhos da puta), durante as décadas de 1950/60. Sua ficha policial (a popular capivara) era a mais extensa da época. Dizem que a tal tinha mais de 20 metros. Mas, enfim, a sua vida e obra serão agora retratadas em filme.

Segundo release divulgado pelos produtores, o drama foi baseado na autobiografia (se é uma autobiografia já é suspeita) do tal Rei da Boca e pretende narrar a sua ascensão e queda. Se eu não tiver nada de mais interessante pra fazer, vou dar uma chegada no cinema pra ver a coisa. O filme foi dirigido e produzido por Flavio Frederico (não tenho a menor ideia de quem se trata).

Pra quem não sabe, a Boca do Lixo era uma região boêmia do baixo meretrício, localizada no bairro dos Campos Elíseos – Centro de São Paulo. O lugar também era conhecido pelo sugestivo nome “Quadrilátero do Pecado”, que contrastava com a putaria de alto padrão da Boca do Luxo (Vila Buarque). Como se vê, até na putaria há segregação social. O capitalismo é foda.

Veja aqui algumas cenas do filme.