domingo, 13 de setembro de 2009

40 bi de dólares é o quanto a pobre América do Sul já gastou para se armar

O acordo de cooperação militar firmando, na última segunda-feira, entre o Brasil e a França (v. aqui) pode consolidar o país como a primeira e indiscutível potência bélica sul-americana. Este é apenas mais um capítulo de uma história que vem se desenrolando há algum tempo e que tem como um dos protagonistas Hugo Chávez. Na verdade, essa foi também uma resposta direta de Lula ao presidente venezuelano, que não esconde o seu desejo de se tornar a maior liderança na América do Sul, mesmo que seja na marra.

Com o pretexto de estar se preparando para um possível ataque norte-americano, Chávez tem investido pesadamente na compra de armas. Só da Rússia já comprou mais de 4 bilhões de dólares em armamento (v. aqui), aquisição que vai desde armas leves a aviões de combate. Apesar do “por qué no te callas” do rei, a Espanha acertou um acordo com o governo venezuelano no valor total de 1,5 bilhão de dólares na compra de barcos patrulheiros e aviões de transporte (v. aqui). Detalhe: esta foi a maior venda de armamento já realizado pelos espanhóis em toda a sua história.

Assim que assumiu a presidência da República, um dos primeiros atos de Lula foi revogar o projeto de seu antecessor (o tucano Fernando Henrique Cardoso) de reequipamento e modernização das Forças Armadas Brasileiras, com o argumento de que o país não corria qualquer risco na pacífica América do Sul. Depois de um pouco mais de 6 anos de governo, parece-me que Lula mudou radicalmente de posição. Em 2003, o orçamento militar do Brasil era estimado em 1,90% do PIB, índice que passou para 2,60% em 2008, ou seja: quase 7 bilhões de dólares já foram reservados para aumentar o poder bélico brasileiro (v. aqui).

É visível a olhos nus que os países da América do Sul têm investido muito dinheiro no setor militar. Dos 44 bilhões de dólares liberados em 2007 pelos respectivos Congressos para a compra de armamento e reestruturação de defesa, cerca de 40 bilhões já foram gastos, principalmente por Brasil, Venezuela, Chile, Colômbia e Equador.

Para um continente que vive relativamente em paz e com fronteiras estáveis há mais de um século (exceto pela Guerra das Malvinas) não vejo sentido em se gastar tanto dinheiro assim com defesa, sobretudo quando toda a região assolada por profundos problemas sociais até agora longe de serem resolvidos.