segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Uma Serpente no Paraíso

A mais recente obra de José Saramago, "Caim", tem seu lançamento mundial hoje. A exemplo do que aconteceu com “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” (1991), o Nobel português parece querer acertar novamente a suas contas com Deus e as religiões. Se o teor do livro já é bem polêmico, as declarações do escritor caíram na Terra como uma serpente no Paraíso.
Durante a apresentação do livro realizada ontem, na cidade de Penafiel (Portugal), Saramago não deixou por menos e saiu-se com esta: “a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana”.
“Mas há coisas muito mais idiotas, por exemplo: antes, na criação do Universo, Deus não fez nada. Depois, decidiu criar o Universo, não se sabe porque, nem para quê. Fê-lo em seis dias, apenas seis dias. Descansou ao sétimo. Até hoje! Nunca mais fez nada! Isto tem algum sentido?”, perguntou Saramago que disse que escrever o livro foi um “exercício de liberdade”.
Enfim, este é um livro que vou ler assim que possível. Não pelas declarações de Saramago. Mas porque o tema me fascina e sobretudo porque sou um grande admirador do seu estilo narrativo, já confirmado em outras obras. E tem mais: Saramago pode ser tudo. Menos negligenciando.