domingo, 22 de novembro de 2009

Jimi Hendrix & Sylvia Beirute*

 
Carbono
parte esta distância ao meio e
separa os meus carbonos e nirvanas e
nas aberturas que se formam, entre uns e outros,
coloca-me um daqueles {!} pontos de exclamação
vermelhos em vias de extinção
e que cortam primeiro o pulso e depois
o eco à palavra eterna. } recolhe então
os deuses que da palavra emanam, ou
os do eco nado-morto no seu útero de nuvem, e
dispõe-os sobre a meia volta que o abraço
dá, desde a manhã, até à tarde. {
porque, de resto, na memória não há sentimentos
mas emboscadas que da sua espontaneidade
brotam e voam como algo por acontecer}.
as suas palavras, verdadeiras ou não, nascidas
ou inascidas, desfazem o longo muro de silêncio.

(*)Sylvia Beirute (uma casa em Beirute). Aliás, uma casa de visita obrigatória  pra quem gosta de uma ótima  poesia.