sábado, 7 de novembro de 2009

Pichação: arte ou vandalismo?


Vai aqui excertos da entrevista concedida pelo cineasta brasileiro Lucas Fretin ao Blog da Metrópole sobre pichação. Fretin mora na França desde 2003 e dirigiu o filme “A letra e o Muro”. Seria bem interessante lê-la na íntegra.
Arte ou vandalismo?
Se arte é o que está dentro das galerias e que representa ao mesmo tempo um conceito e um valor (todas as obras têm um preço e são comercializadas) então pichação não é arte.
Se arte é uma forma estética de expressão humana, como são pinturas indígenas ou rupestres, então pichação é arte.
Uma coisa é certa: pichação é vandalismo. Mas pode ser arte também. Uma possibilidade não exclui a outra. Não se pode confundir arte com beleza. A pichação tem sua própria estética, uma estética agressiva. Mas isso não impede que ela tenha uma própria estética.
Status de manifestação artística?
Não é exagero. A arte deve poder se apropriar de tudo. Todos os elementos da vida humana, então por que não pichação? Mas pichação em galeria de arte não é a mesma coisa que na rua. Na rua, ela tem um outro objetivo: é uma forma de expressar uma revolta contra essa sociedade que os excluiu, é uma busca de aventura e é também uma forma de organização social.
A pichação brasileira
Quando cheguei aqui na França, em 2003, ninguém conhecia a pichação de São Paulo. Até então todo mundo achava que a referência eram os Estados Unidos. Hoje, com a internet e o intercâmbio entre pichadores no mundo, a pichação paulistana se tornou muito conhecida. Na verdade ela tem um estilo estético completamente diferente das pichações no mundo, que inclusive são chamadas "tags". No mundo do grafite existe uma diferença clara entre "pixaçao" (os pichadores escrevem frequentemente com "x") e a "tag". Ela não tem também a amplitude que tem a pichação de São Paulo, nem os mesmos tamanhos. Ela é muitas vezes denominada "tag selvagem de São Paulo”.
E se a sociedade e a pichação entrarem em paz?
Acredito que a pichação vai continuar mesmo se a sociedade fizer as pazes com ela. Se a pichação for legalizada, acho que ela até aumentaria! A pichação continua sendo um sintoma do mal-estar social. Na verdade, ela só existe porque há um ambiente social propício: desigualdade, exclusão, racismo, um estado de miséria crônica que causa na cabeça de muitos descrença total. Persiste em muitos pichadores uma perda completa na esperança de ascensão social e um redirecionamento dos valores para modos de vida alternativos. A pichação faz parte de nosso modelo social de São Paulo. Sem ele, ela nunca existiria. É um Estado fraco que abandonou os cidadãos (não garante saúde e educação). Enquanto este modelo continuar, a pichação deve continuar também.

3 comentários:

  1. Anônimo diz:

    pichação é um vadalismo, mas o grafite é arte pura! =)

    Anônimo diz:

    Concordo com o texto. Pixação é vandalismo. Arte não tem que ser bonita.

    Anônimo diz:

    achei bom o argumento, mas o texto ainda é muito fraco. mas valeu, me ajudou mesmo assim (y)

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