quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

“Andy Warhol se ‘apossou’ de Lou Reed”


Em 1967 foi lançado um álbum que iria mudar o curso da história do rock. O único elemento que aparecia na capa era uma bonita banana com um nome: Andy Warhol. “Durante anos eu pensei que era a banda de rock de Andy Warhol”, confessou Bockris Victor (1949), um dos grandes biógrafos do rock. Entretanto, o “disco da banana”, como é popularmente conhecido, foi a estréia de “The Velvet Underground & Nico”, considerado o D. Quixote de rock.
Bockris esteve ontem em Málaga (Espanha) para participar de uma palestra sobre a poesia do rock, organizado pelo Instituto Municipal do Livro, cujo tema este ano centrou-se na lendária banda dos anos de 1960 liderada por Lou Reed e John Cale. O autor, entretanto, conferiu a estes 2 músicos as medlha de prata e bronze e colocou no alto do pódio Andy Warhol, que ele considera “o mais importante membro do Velvet Underground” (mesmo que nunca tenha pertencido à banda).
A revolução silenciosa
“Na verdade, o título verdadeiro do disco é “The Velvet Underground & Nico”, produzido por Andy Warhol. As pessoas ficavam surpresas e diziam que Warhol não tinha produzido o álbum, uma vez que não tinha formação musical e tampouco participou ativamente das gravações. Mas eu afirmo que Andy produziu sim este álbum. Não só produziu, como sem Warhol o disco não existiria”, frisou Bockris.
Warhol conheceu a banda em 1966, quando tinha dado apenas 3 shows. E em 5 meses, de janeiro a maio, a transformou completamente (foram convencidos a incorporar no grupo a cantora húngara Nico). Segundo Bockris, “Andy Warhol se “apossou” de Lou Reed. Há 3 canções no álbum, “Femme Fatale”, “All Tomorrow's Parties” e “Ill be your Mmirror” que só existem porque Warhol disse a Reed: escreva 3 canções sobre estes temas para Nico”.
O “disco da banana” foi a semente de uma revolução silenciosa (na sua época, nem entrou na lista dos mais vendidos), mas com o tempo ganhou dimensões de um furacão. É muito difícil encontrar um músico de rock no mundo que não tenha sido influenciado por suas irrepreensíveis 11 canções.
“Se você comparar então com o que estavam fazendo os Rolling Stones ou os Beatles, a diferença é notável. “The Velvet Underground” estava muito à frente. Eles introduziram temas bem mais sofisticados. Ninguém antes tinha falado de drogas pesadas, de homossexualidade ou de sadomasoquismo no rock. A homossexualidade era um tabu”, diz Bockris, que no início dos anos de 1980 escreveu um livro sobre o grupo e tem sido o biógrafo (não autorizado) de nomes como Lou Reed, Keith Richards, William S. Burroughs, Patti Smith e até mesmo o lendário pugilista Muhammad Ali.
“Tanto Ali como Reed são 2 grandes oradores. Eles falam com grande fluidez e seus discursos seduzem”, explica Bockris antes de “pintar” um aterrorizante retrato de Lou Reed, de quem foi um grande amigo durante os anos de 1770: “Ele é um predador. Caça sua presa no meio da selva e a mata. Ele te enfeitiça, te conduz até o seu território e depois te destrói. Isso aconteceu com Andy Warhol, que nunca o perdoou. E também é assim ou pior com as mulheres”.
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