sexta-feira, 12 de março de 2010

Glauco (1957 – 2010)


Após saber da morte de Glauco, diversos cartunistas prestaram homenagem ao colega. Os desenhos estão à disposição no blog Universo HQ. Entre eles, está a revista "Mad" que usou o personagem Geraldão no desenho. Tchau, amigo Glauco. O Céu fica mais alegre e colorido a partir de hoje. E a Terra? Bem, a Terra aprenderá a sorrir novamente. Aqui o seu site oficial do cartunista.

Abaixo, seus personagens e suas tirinhas.

Geraldão

Geraldão é o principal personagem criado por Glauco, solteiro, na faixa dos 30 anos, ele ainda é virgem e mora com a mãe, com quem tem uma relação neurótica. Geraldão bebe, fuma bastante, toma os remédios que encontra pela frente e adora atacar a geladeira.O personagem foi criado para o livro "Minorias do Glauco", lançado em 1981.

Geraldinho

Geraldinho é a versão criança do Geraldão. Ao invés de beber, fumar e tomar remédios, ele é viciado em refrigerantes, TV e sorvete. Seus amigos inseparáveis são o cachorro Cachorrão e do gato Tufinho. Geraldinho foi criado especialmente para a Folhinha.

Netão

Netão foi o primeiro quadrinho criado por Glauco para a internet. Ele surgiu em maio de 2000, feito especialmente para o UOL. O nome Netão é uma referência à palavra net. O personagem tem cerca de 30 anos e vive "internado" em um apartamento com a mulher. Netão tem compulsão por salas de bate-papo e, sem nunca tirar seu pijama, passa boa parte do seu tempo envolvido em traições virtuais.

Dona Marta

Dona Marta é uma daquelas moças educadas à moda antiga e, de tanto esperar pelo homem ideal, acabou ficando para titia. Quando se deu conta de que não arrumaria um namorado, ela passou a cantar todos os que encontra. A personagem foi criada 1981, também para o livro "Minorias do Glauco".

Casal Neuras

Criado em 1984, o casal é formado por uma mulher não submissa e por um homem que faz pode de liberal mas, no fundo, morre de ciúmes dela. Os dois são chamados de Neurinha, ela e ele. Os personagens foram baseados no primeiro casamento de Glauco.

Zé do Apocalipse

Zé do Apocalipse é uma espécie de profeta brasileiro, que acredita que o país é a terra do novo milênio. O personagem acredita ser o porta-voz dessa nova era e prega suas ideias em todo o lugar. Zé foi inspirado em um amigo de Glauco que vivia em uma comunidade alternativa.

Edmar Bregmam

Opersonagem é uma homenagem ao cineasta Glauber Rocha e ao cinema novo. Edmar nunca terminou um filme e seu único contato com o cinema foi ter sido responsável pelos efeitos especiais de "Terra em Transe".

Doy Jorge

Doy Jorge é um roqueiro que não se deu bem na carreira e se deixou levar pelas drogas pesadas. O personagem foi criado nos anos 80 para as revistas do "Geraldão" e também teve suas tiras publicadas na Folha.

Zé Malaria

Zé é um antropólogo que estudou a mata, mas nunca foi a campo e morre de medo decobras, aranhas e bichos em geral. Seu instrumento de trabalho é um inseticida que devasta a floresta.

Ficadinha

Criada em 2000 para integrar um canal do UOL direcionada para a sexualidade de jovens, Ficadinha é uma adolescente contemporânea. Ela tem 17 anos, mora com os pais e tem vários "ficantes".

Faquinha

Faquinha nunca conheceu os pais e foi criado por Facão, um perigoso traficante. Faquinha entrou para o mundo do tráfico e vive sendo perseguido pela polícia e por grupos de extermínio.

Nojinsk

Nojinsk vive num deserto com seu tapete mágico sempre fugindo dos americanos e de grupos extremistas que o confundem com terroristas. O personagem é, na verdade, um comerciante de camelos, odaliscas, haxixe e tapetes-voadores.

Ozetês

Eles vieram do espaço e se comunicam por telepatia, meditam e materializam coisas com a força do pensamento. Vários artostas famosos já mediram com os ozetês, como Jimi Hendrix.


Via Ilustrada.


Violência mata Glauco – Conselho Consultivo do Salão de Humor

Nota Oficial

A violência em São Paulo, mais uma vez, mata e empobrece a cultura brasileira. Aos 53 anos, no auge de sua produção artística, morre assassinado por assaltantes em sua casa o cartunista paranaense Glauco Villas-Boas, radicado em Osasco.

Glauco, como era conhecido, foi descoberto pelo jornalista José Hamilton Ribeiro, então diretor do “Diário da Manhã”, em Ribeirão Preto, interior paulista. Lá começou a publicar suas tiras cômicas.

Mas, foi na 4ª edição do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, em 1977, ao conquistar um dos prêmios, que Glauco foi projetado no cenário artístico brasileiro e internacional. Com seu imenso talento, criatividade, estilo único e, em especial, humor inteligente baseado no comportamento da nossa sociedade, que Glauco saltou, ainda no mesmo ano, para as páginas da “Folha de S. Paulo”.

Em 1984, a mesma “Folha” abriu espaço diário para a nova geração de cartunistas brasileiros. Glauco estava entre eles e, assim, ficou conhecido em todo o País. Surgiram seus principais personagens: Geraldão, Zé do Apocalipse, Dona Marta, Doy Jorge, Casal Neuras, Geraldinho e outros. Multimídia, Glauco também era músico e se apresentava em bandas de rock. Integrou a equipe de redatores do “TV Pirata” e do “TV Colosso”, programas apresentados pela TV Globo. Publicou livros de humor.

Em plena Era Digital Glauco continuava fiel à prancheta, desenhando à mão com nanquim. Usava o computador apenas para colorir os trabalhos, depois de escanear cada um deles. Glauco registrou, a cada momento, as transformações pelas quais passou o mundo, o Brasil. Era um profundo conhecedor e critico da alma humana, mas sempre de maneira bem humorada, provocando reflexões.

O Brasil e o mundo perdem um de seus maiores cartunistas.

Restam, diante de mais esta tragédia, as perguntas:

- Senhores governantes, até quando?
- Quantas vidas ainda faltam para que seja colocado um basta na violência?

Ricardo Viveiros
Presidente do Conselho Consultivo
do Salão Internacional de Piracicaba

Zélio Alves Pinto
Vice-presidente do Conselho Consultivo
do Salão Internacional de Piracicaba

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