domingo, 7 de março de 2010

Ovulação Que Excita

Amanhã (8) é o Dia Internacional da Mulher. E é exatamente nesse dia que se levanta sempre a polêmica das diferenças de sexo. Pra mim, socialmente não deveria haver qualquer diferença, mas ela infelizmente existe ainda. O que é de se lamentar. Fisicamente, sim. Elas são muitas e bem visíveis. E quem não perceber essa diferença pode comer gato por lebre (tipo Ronaldo Fenômeno). Entretanto o que mais separa homens e mulheres é a natalidade e a menstruação. O que era sagrado no começo da civilização, a menstruação passou a ser relegada e se tornou um grande tabu (v.aqui).

Apesar de não ter muito a ver com a menstruação propriamente dita, mas diretamente com o período fértil da mulher, estudos realizados recentemente por cientistas da Universidade do Estado da Flórida (Estados Unidos) demonstram que o cheiro preferido dos homens, principalmente na hora da conquista, é o odor natural da mulher. Ou seja: nada de perfumes sintéticos e outros odores artificiais. O cheiro que mais excita o homem é o da mulher quando ela está ovulando.

Segundo os estudos realizados, os cientistas conseguiram constatar pela primeira vez a teoria de que a taxa de testosterona dos homens aumenta quando eles ficam perto de uma mulher que está no ciclo menstrual, mais especificamente durante a ovulação.

Pesquisas anteriores já haviam ressaltado a importância dos feromônios no jogo da sedução. Se para as mulheres o cheiro natural do homem é um dos fatores determinante na escolha do parceiro, para os homens ocorre o mesmo. O que não está muito distante do que acontece na natureza, quando os machos têm seus níveis de testosterona aumentados quando encontram uma fêmea no cio.

Para a conclusão deste estudo, os pesquisadores selecionaram um número determinado de mulheres, que durante 3 noites vestiram a mesma camiseta. Metade delas encontrava-se no ciclo de ovulação as outras não. Depois disso, os cientistas guardaram as camisolas misturadas a outras sem uso.

Realizada a primeira parte da pesquisa, 68 (por um - creio que a escolha desse número é bem sintomática) voluntários masculinos cheiraram as camisetas usadas por mulheres em período fértil. Após cada camiseta cheirada, a testosterona na saliva dos homens era medida. O resultado dessa experiência foi o aumento substancial nos níveis de testosterona quando se tratavam das camisas das mulheres que estavam ovulando. Entretanto, o mesmo não ocorria quando as camisetas cheiradas eram as novas ou as usadas pelas que tomavam contraceptivo hormonal.

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Os Mannequins de Munique

Sylvia Plath (*)

A perfeição é horrível, ela não pode ter filhos.
Fria como o hálito da neve, ela tapa o útero

Onde os teixos inflam como hidras,
A árvore da vida e a árvore da vida.

Desprendendo suas luas, mês após mês, sem nenhum objetivo.
O jorro de sangue é o jorro do amor,

O sacrifício absoluto.
Quer dizer: mais nenhum ídolo, só eu

Eu e você.
Assim, com sua beleza sulfúrica, com seus sorrisos

Esses manequins se inclinam esta noite
Em Munique, necrotério entre Roma e Paris,

Nus e carecas em seus casacos de pele,
Pirulitos de laranja com hastes de prata

Insuportáveis, sem cérebro.
A neve pinga seus pedaços de escuridão.

Ninguém por perto. Nos hotéis
Mãos vão abrir portas e deixar

Sapatos no chão para uma mão de graxa
Onde dedos largos vão entrar amanhã.
Ah, essas domésticas janelas,
As rendinhas de bebê, as folhas verdes de confeito,

Os alemães dormindo, espessos, no seu insondável desprezo.
E nos ganchos, os telefones pretos

Cintilando
Cintilando e digerindo

A mudez. A neve não tem voz.

(*) Tradução de Claudia Roquette-Pinto