terça-feira, 11 de maio de 2010

Lady GaGa, uma fantástica Frankstain pop

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O seu talento está exatamente em capitalizar as diversas linguagens do pop, sejam elas musicais ou comportamentais.
Não morro de amores por Lady GaGa, mas respeito todo e qualquer gênero musical, mesmo porque há música para todos os paladares e momentos.
A linguagem musical é uma das mais versáteis e uma das manifestações culturais mais populares da sociedade moderna. Sua essência extremamente abstrata nos permite fazer diversas leituras de seu caráter.
Ela é acessível a todas as classes sociais independentemente de ideologia, condição cultural ou credo. E é ótimo que continue assim, pois a rigor ela representa uma legítima forma de liberdade de expressão.
A música pode nos tocar de diversas maneiras dependendo de nossa sensibilidade ou disposição emocional num determinado momento. Ou seja: há, por exemplo, música para meditação, para simplesmente dançar ou até cantar no banheiro.
E exatamente por essas e outras que não ouso criticar Lady Gaga, um fantástico Frankstain criado no laboratório da industria fonográfica para se tornar a rainha do pop/dance/eletrônico. E ao que parece a experiência foi bem sucedida.
Dizer que ela não é original é bater numa tecla já bem desgastada e não deixa de ser um grande clichê. O seu talento está exatamente na capacidade em capitalizar, tanto visualmente como musicalmente (e até em termos comportamental), as diversas linguagens do pop. O que torna o seu trabalho extremamente criativo e em certa medida bem interessante.
Pode-se não gostar, como é o meu caso, mas não reconhecer que ela é um novo fenômeno ultra-pop, onde a tríade sexo, rebeldia e liberdade ganha nova roupagem, é puro preconceito. Não é só o "discurso" que faz de GaGa uma popstar. Ela tem um enorme talento musical e sabe como poucos incursionar por várias vertentes do pop e ter luz própria.
Vejamos, pois, de como foi criado esse tal Frankstain pop:
Do Queen, tiraram-lhe o nome - O produtor musical Rob Fusari, que ajudou GaGa a compor uma de suas primeiras canções, comparou seu estilo vocal ao de Freddie Mercury. Por isso apelidou-a de Gaga devido a canção “Radio Ga Ga”. E assim ela passou a usar o apelido como seu nome artístico.
De Madonna, o estereótipo - Cor do cabelo, a teatralidade, a dança e o erotismo exacerbado. Cabe lembrar que uma das fontes da eterna “Like a Virgin” nos quesitos dança e teatralidade foi o falecido Michael Jackson.
De Róisín Murphy, o look – Neste caso, deixo as fotos falarem por si: clique aqui.
De David Bowie, o estilo glam - Ela mesma não esconde essa influência. O glam rock vem lá do final da década de 1960 e foi basicamente difundido na Inglaterra. É mais um estilo comportamental do que musical, marcado principalmente pela androginia, maquiagem exuberante e trajes extravagantes.
De Marilyn Manson, o formato de clipes – Os 2 têm um certo fascínio por clipes macabros, grotescos e violentos. Veja “Bad Romance” e todos de Manson. Aliás, o ex da pin-up Dita Von Teese não se cansa de elogiar o trabalho de GaGa, dizendo que ambos têm muitas coisas em comum. E já até gravaram juntos.
Também não corro risco algum em afirmar que GaGa fez uma pequena incursão pela Tropicália, um “momento” - como diz Gilberto Gil - musical e comportamental tupiniquim extremamente sincrético e inovador, onde se fez uma colagem dos aspectos tradicionais da cultura brasileira com outras linguagens estéticas, como, por exemplo, a da pop art. Para os tropicalistas, Chacrinha e Carmem Miranda simbolizavam em parte a essência do tropicalismo.