segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

WikiLeaks: começa a primeira grande ciberguerra?

assinatura Exército de hackers denominados “Anônimos” começa ataques a sites que se recusam a colaborar com site criado por Julian Assange. 

O site WikiLeaks.org tem chamado a atenção de todo o mundo ao vazar na rede documento secretos do governo dos Estados Unidos. Ganhou notoriedade pela primeira vez quando, em abril deste ano, divulgou um vídeo no qual militares norte-americanos fuzilam iraquianos civis e um jornalista de um helicóptero (v. aqui).
Em julho, com o título 'Diário da Guerra no Afeganistão', o site voltou a assombrar a opinião pública mundial ao vazar mais de 90 mil relatórios sobre as guerras sujas no Afeganistão e Iraque. Entre os documentos, há relatos de mortes de milhares de civis inocentes. Logo em seguida veio uma enxurrada de documentos envolvendo a diplomacia norte-americana. Até o momento foram vazados mais de 250 mil relatórios secretos.


Dias depois, Julian Assange, fundador do WikiLeaks, acabou sendo acusado de uns estranhíssimos crimes sexuais na Suécia e agora se encontra na Inglaterra,  onde será sulgada a sua extradição. Segundo Assange, que alega inocência, trata-se de uma campanha difamatória. 
Assim, é por essas e outras, que Assange e o Wikileaks se tornaram o epicentro de uma guerra desenvolvida no ciberespaço. De um lado estão os seus partidários do outro os considerdos inimigos.

Do seu lado está um exército de hackers denominados “Anônimos”, que vêm atacando sites que se recusam a colaborar com a organização e desde a última terça-feira (07) estão colocando em prática a operação “Payback” (ou Operação Vingança*).
O primeiro deles foi o da Paypal (empresa norte-americana de pagamentos pela Internet). Isso porque a empresa tinha bloqueado a conta por onde o WikiLeaks recebia doações para financiar o site. Logo depois, precisamente nesta última quinta-feira (09), os alvos dos ataques foram as operadoras de cartão de crédito Mastercard e Visa, além do banco suíço PostFinance, mesmo depois da Paypal ter desbloqueou os fundos depositados na conta do WikiLeaks.
Cores_verde-branco Como funciona o WikiLeaks
infográfico do Wikileaks 
Clique na imagem para vê-la ampliada.
O WikiLeaks está em atividades desde 2006 e funciona como uma organização sem fins lucrativos, sediada na Suécia, que publica em seu site documentos, fotos, vídeos e informações confidenciais, vazadas de governos ou empresas sobre assuntos polêmicos (v. aqui algumas revelações).
bunker do Wikileaks Clique na imagem e faça um passeio virtual pelo bunker que abriga o WikiLeaks na Suécia, através de fotos em 360º.
V de Vingança (*) Os manifestantes adotaram a máscara do protagonista do filme “V de Vingança”, numa clara referência à operação “Payback” (ou Operação Vingança).
PS: A rigor, esta pode ser considerada a segunda guerra virtual, uma vez que, em 2007, ataques desestabilizaram toda a Internet da Estônia em protesto à mudança de local de um monumento soviético no pais. Entretanto, devido internacionalização do caso do Wikilesks creio que esta pode vir ser a primeira grande ciberguerra travada até o momento.
Cores_verde-branco Apoio a Assange ultrapassa fronteiras digitais
ciberguerrawikileaks   cyber warjulian assange A revolta que corre nas redes sociais contra a detenção do fundador da WikiLeaks ultrapassou a fronteira digital, saindo para a rua em dezenas de concentrações na Europa, América do Sul e até no Oriente Médio. Uma das primeiras manifestações ocorreu na manhã de sábado (11), em Londres,  e vem se espalhando rapidamente. E vale aqui a seguinte reflexão: se os governos podem nos espinonar, por que não espionar  os governos?