segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Meias de náilon, a loucura que revolucionou a moda

meia de nylon 2 Com a Crise de 29, tudo se desfez no Ocidente. Até mesmo o glamour e a transgressão na moda que tinha começado a se impor por volta de 1914, quando as saias tornaram-se mais curtas expondo não só os tornozelos, mas também as panturrilhas até bem próximo dos joelhos.
Os “loucos” anos de 1920 chegavam ao fim. Com a Grande Depressão que se iniciava, as pessoas tornaram-se novamente mais conservadoras e as pernas voltaram a ser cobertas. Mas isso foi só um parêntese. A indústria têxtil estava se preparando para contra-atacar com a promessa de liberar novamente as mulheres reprimidas pela crise e que iria mudar a história da moda: as míticas as meias de náilon.
primeiras meias de seda
Imagem da produção das primeiras meias de náilon nos EUA, em 1940.
Em 1935, o químico norte-americano  Wallace Carothers inventou um novo material que ele definiu como “uma nova seda feita com fibra sintética” (o nylon). Ele, entretanto, não tinha a menor ideia de que a sua criação iria revolucionar a moda feminina até que, 3 anos depois, chegou ao mercado as novas meias feitas com o seu tecido, mais durável e mais delicadas que as de seda usados até então.
Em 1939, a DuPont aproveitou a Feira Mundial de Noiva York para apresentar as suas inéditas meias de náilon a um grupo de mulheres. Elas ficaram totalmente enlouquecidas com o novo produto.
DuPonte - publicidade E finalmente, em 15 de maio de 1940,  as tão desejadas meias de náilon foram colocadas à venda pela primeira vez nos EUA. Tal foi o impacto causado que 4 dias depois foram vendidos mais de 5 milhões de pares. Durante o primeiro ano, a empresa vendeu 64 milhões de unidades.
"Mais forte do que o aço", dizia um dos anúncios do produto. Era "a nova fibra milagrosa" mudando a imagem e o comportamento da mulher. As "meias de cristal", como também eram chamadas pela sua transparência, envolviam as pernas femininas sem produzir rugas, tornando-as mais torneadas e delicadas aos olhos das outras pessoas.
paraquedistas-militares Com início da II Guerra Mundial, o governo norte-americano proibiu uso do náilon para confecção de meias e sua produção foi destinada exclusivamente à fabricação de equipamentos militares, tais como paraquedas e pneu.
Com o final da guerra, em 1945, o embarco foi levantado. A demanda pelas meias de náilon era tanta que superava em 2 anos toda a produção do material. Para se ter uma ideia dessa loucura, a Macy’s de Nova York, considerada a maior loja do mundo da época, vendeu 50 mil pares em 6 horas.
Em Pittsburgh, formou-se uma fila com outras 40 mil mulheres, que esperaram sob um forte temporal durante toda a noite para comprar qualquer um dos 13 mil exemplares colocados à venda. E toda essa confusão durou 7 meses, a tal ponto da DuPont garantir às clientes que atenderia todos os pedidos . Três anos após o fim da guerra, a produção de náilon voltou a atender a demanda e a venda de meias continuou constante.
Nos EUA era difícil encontrar uma mulher que não tinha o seu par. Em 1951, elas começaram a ser fabricadas com um desenho mais anatômico para se adequar ao formato dos pé e não causar rugas.
Anne Bancroft,
Marylin Monroe Sophia Loren 
Em 1952, foram produzidas as primeiras meias sem costura. Seu uso já estava intrinsecamente incorporado à figura feminina, seja ela anônima ou estrela de cinema como Marylin Monroe, com as clássicas meias arrastão, em “Bus Stop” (1956), Sophia Loren , em “Ontem, Hoje, Amanhã”(1964) e Anne Bancroft, em “A Primeira Noite de Um Homem” (1967), com Dustin Hoffman.
Entretanto, no início dos anos de 1960, foi descoberto um no novo material que voltou a revolucionar a indústria , a lycra. O tcido tem uma elasticidade 7 vezes maior , é mais resistente e define melhor a silhueta feminina. Assim, as meias de náilon deixaram de ser essencial com o passar do tempo, e suas vendas foram caindo. Estima-se que a partir de 1995 a queda chega a 70%.
meia-calça As meias de náilon não têm nada parecido com as meias-calças de hoje. Cobrindo apenas dois terços das penas, dos pés até o meio da coxa, elas eram presas com ligas. Fonte