terça-feira, 29 de julho de 2014

“Bicycle face”, a doença inventada no século 19 contra a mulher por andar de bicicleta

CLIMA/RJpost Andar de bicicleta no final do século 19 nas grandes cidades era tido como um sinônimo de liberdade, assim como aconteceu logo depois como os carros. Nessa mesma época, surgia na Europa o ativismo feminista. As mulheres exigiam o direito do voto e queriam ser reconhecidas como adultas, capazes de controlar sua vida sem a tutela de um marido.
E nesse cotexto, a bicicleta se tornou um instrumento decisivo para o desejo de independência da mulher dessa época. Era na verdade um veículo que escapava do controle masculino.
Uma das ativistas mais comprometidos com os direitos das mulheres naquela época nos EUA, Susan B. Anthony , declarou em uma entrevista, em 1896, no New York World,  que a “bicicleta tem feito mais pela emancipação feminina que qualquer outra coisa no mundo”.
“Eu fico muito alegre toda vez que vejo uma mulher sobre rodas. Ela lhe dá sensação de liberdade e autoconfiança. A faz sentir como se fosse independente. (...) E lá vai a visão da feminilidade livre da escravidão “, disse Susan.
Essa postura assustou aqueles que diziam que as mulheres estavam ficando exigentes demais, pois se “vestem como homens" para poder pedalar confortavelmente, mas são “perigosas nas vias públicas”. E assim a resistência masculina começou a ser armada.
Entre as mais absurdas teorias da pseudociência do século 19, uma se tornou muito forte contra as mulheres que usavam a bicicleta como meios de transporte: a doença “bicycle face” (cara de bicicleta).
Um estudo mais recente realizado pela Universidade de Yale indica que o hábito de passar muito tempo sobre o banco uma bicicleta está relacionado à disfunção erétil, no caso dos homens, e menos prazer sexual, no das mulheres. O Resultado foi publicado no site do Journal of Sexual Medicine.
Em um artigo publicado em 1896 (o mesmo ano da entrevista de Susan B. Anthony), o semanário britânico Cheltenham Chronicle escreveu um pequeno artigo sobre a suposta ameaça. Citando o Daily Telegraph , diz que "um médico britânico " havia descoberto a tal doença.
"O excesso de esforço, a posição vertical da roda e o esforço inconsciente para manter o equilíbrio tendem a produzir uma fatigada e exausta 'cara de bicicleta’, observou o Literary Digest, em 1895. Passando a descrever essa condição como: "um rosto normalmente corado, mas às vezes pálido, muitas vezes com os lábios mais ou menos definidos e o início de olheiras e sempre com uma expressão de cansaço."
Em seu longo artigo “Os perigos ocultos do ciclismo”, publicado na National Review , em Londres, em 1897, o médico inglês A. Shadwell alegou ter sido o primeiro a empregar a expressão “bicycle face”  alguns anos antes. Quando também advertiu sobre os perigos de andar de bicicleta. Ele descreve o ciclismo "como uma mania que tem sido praticada por pessoas impróprias para qualquer esforço". Fonte:

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