quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Carta em que Albert Einstein diz que Deus criou o mundo é leiloada por mais de 200 mil reais

Albert Einstein AA famosa carta escrita pelo físico Albert Einstein ao colega italiano Giovanni Giorgi, quando lecionava em Roma, foi leiloada na última segunda-feira (23), na casa de leilões RR Auction (EUA) por 75 mil dólares (mais de 200 mil reais), informa o site Christian Today.
Escrita em 12 de julho de 1925, a carta diz que "Deus criou o mundo com muita elegância e inteligência" e, depois de se referir a alguns experimentos, conclui: "Eu não tenho dúvidas sobre a validade da teoria da relatividade".
Albert Einstein - Carta DeusNa época, Giorgi era conhecido internacionalmente e na Itália como uma autoridade em eletromagnetismo. A curta mensagem está escrita no verso de um cartão postal assinado por "Suo Einstein" ou "Do seu Einstein", em português.
Alguns historiadores afirmaram que o documento é “fascinante”, já que Einstein havia dito em outras ocasiões que não acreditava em Deus.
"Embora ele não acreditasse em uma divindade pessoal, Einstein não era avesso a falar de Deus em um contexto científico, ao discutir as diferentes interpretações da física quântica", afirmou um representante da RR Auction.
Albert Einstein 1"Em 1929, ele disse que acreditava no 'Deus de Spinoza', que se revela na harmonia de tudo o que existe", e, na década de 1950, ele escreveu: "Se há algo em mim que pode ser chamado de religioso, é a admiração ilimitada pela estrutura do mundo, à medida em que a nossa ciência pode revelá-lo", acrescentou.

“Carta de Deus”
Um ano antes de morrer, Einstein escreveu, em 3 de janeiro de 1954, uma carta ao filósofo judeu Eric B. Gutkind, expressando sua visão sobre o povo judeu, as religiões e a existência de Deus. O documento foi leiloado no eBay de 8 a 18 de outubro de 2012, e foi vendida por 3 milhões de dólares.

A carta era uma resposta do físico ao livro de Gutkind “Choose Life: The Biblical Call to Revolt” (“Escolha a Vida: A Chamada Bíblica à Revolta”), no qual o filósofo sustentava a ideia de que os judeus eram um povo de “alma incorruptível”. “A alma do povo judeu nunca foi uma alma de massas. A alma de Israel não poderia ser hipnotizada; nunca sucumbiu a ataques hipnóticos (…). A alma de Israel é incorruptível”, escreveu.
Apesar da sua manifesta oposição a qualquer forma de nacionalismo, Albert Einstein participou ativamente no movimento sionista e defendeu abertamente a criação de um estado judaico na Palestina, “uma pátria nacional e cultural para o povo judeu onde os direitos dos árabes sejam também respeitados”.
Einstein não concordava: “Para mim, a religião judaica é, da mesma forma que todas as outras, uma incarnação das superstições mais infantis. E o povo judeu, ao qual eu pertenço com boa vontade, e que tem uma mentalidade com a qual tenho uma afinidade profunda, não tem, para mim, uma qualidade que o difere de qualquer outro povo. Até onde minha experiência vai, ele também não é melhor que outros grupos humanos, embora esteja protegido dos piores cânceres por falta de poder. Fora isso, não consigo ver nada de ‘escolhido’ sobre ele”.
No final de sua vida, Einstein se mostrou contrário às religiões. Mas ele acreditava em Deus? Não exatamente, como se lê em uma carta escrita em 24 de março daquele mesmo ano: “Foi, é claro, uma mentira o que você leu sobre minhas convicções religiosas, uma mentira que foi repetida de forma sistemática. Eu não acredito em um Deus pessoal, nunca neguei isso, mas expressei de forma clara. Se algo em mim pode ser chamado de religioso, é minha ilimitada admiração pela estrutura do mundo que nossa ciência é capaz de revelar”.

Einstein e religião A“A palavra de Deus é para mim nada além do que a expressão e produto da fraqueza humana, a Bíblia é uma coleção de lendas honradas, mas ainda primitivas, que são não obstante bastante infantis. Nenhuma interpretação, não importa quão sutil, pode (para mim) mudar isso”, escreveu o cientista.