domingo, 1 de março de 2015

Cientista diz estar perto de fazer transplante de cabeça humana, mas levanta dilemas éticos e dúvidas

severed_headcredito  A ideia parece ter sido inspirada no clássico da ficção científica “Frankenstein”. Segundo informa a revista New Scientist, o primeiro transplante de cabeça humana da história poderia ocorrer em 2 anos.
Quem garante isso é o cirurgião italiano Sergio Canavero (segunda foto abaixo), do Grupo de Neuromodulação Avançada de Turim, Itália. "Se a sociedade não quiser isso, eu não vou fazer. Mas se as pessoas não quiserem nos Estados Unidos ou na Europa, não significa que não será feito em outro lugar” disse ele.
FrankensteinO objetivo é implantar a cabeça de um paciente de doença grave no corpo de um doador que tenha tido morte cerebral e corpo saudável. O grupo deve apresentar a proposta durante uma conferência médica nos Estados Unidos neste ano.
Segundo Canavero, as técnicas que tornariam esse transplante possível incluem procedimentos como resfriar a cabeça do receptor e o corpo do doador para evitar que as células morram sem oxigênio, cortar os tecidos do pescoço e conectar as veias e artérias maiores a tubos finos e seccionar os nervos da espinha.
Sergio CanaveroUma das partes mais complicadas da eventual cirurgia seria conectar os nervos da espinha do corpo aos nervos da cabeça. Para tanto, o cirurgião usaria uma substância química com polietileno para fazer as conexões e eletrodos para estimular as novas conexões nervosas.
Canavero disse também que logo após a cirurgia o paciente passaria semanas em coma e inicialmente seria capaz de mover os músculos do rosto e falar com a mesma voz que tinha antes. Porém, seria necessário pelo menos um ano de fisioterapia para que pudesse andar.
Diversos especialistas na área, entretanto, disseram não acreditar nessa possibilidade técnica. Alguns ressaltaram pontos técnicos difíceis de resolver, tais como a dificuldade de fazer o paciente passar pelo coma de forma saudável.
Transplante de Cabeça 01AOutros, porém, levantaram dilemas éticos, como a possibilidade de que, se der certo, a cirurgia seja usada para fins cosméticos. Ou disseram que o procedimento pode até se tornar realidade, mas não em um prazo tão curto.